Publicado por: egle | 7 Novembro, 2009

Falta de Assunto

Aos meus fiéis leitores, estou passando por aqui só para dizer que estou atravessando  uma crise de criação.

Não sei  se por falta de  assunto interessante ou se devido à minha nova situação de assalariada,  tendo que enfrentar diariamente um metrô cheio e andar pelo centro da cidade com um calor de 40 graus. A inspiração se nega a aparecer.

Assim que algo digno de nota surgir, volto a escrever.

Fui!!!

Publicado por: egle | 19 Outubro, 2009

Hoje eu vou assim

Após 16 meses de  “Ócio Criativo “, como diria Domenico De Masi, eis que hoje retomo as minhas atividades profissionais , na forma tradicional, isto é com local fixo de trabalho e horário !!!.

Não que eu tenha buscado esta volta , ela aconteceu devido a diversas reviravoltas do destino. Explico: Em 1990 trabalhava na Interbrás,  subsidiária da Petrobrás, que neste ano foi extinta pelo Presidente Collor (lembram dele?) tão logo  assumiu. Várias ações foram ajuizadas pelos funcionários atingidos e após 19 anos eis que ficou decidido que os funcionários da extinta Interbrás seriam incorporados a Petrobrás.

O título deste post foi tirado de dois blogs Hoje eu vou assim e Hoje eu vou assim OFF nos quais suas autoras fazem um diário do que vestem dia a dia para ir trabalhar. Aproveitei a idéia para registrar a minha indumentária do primeiro dia de trabalho, mas não se impressionem pois não pretendo  seguir esta linha neste blog.

Alguém tem que trabalhar, né?

Alguém tem que trabalhar, né?

Publicado por: egle | 15 Outubro, 2009

Viciados em Buenos Aires

Pesquisando diversos blogs para obter dicas sobre Buenos Aires, verifiquei que existe uma comunidade de brasileiros viciada nesta cidade. O  Idas e Vindas é uma boa fonte de informações. Sabem todas as dicas, os melhores restaurantes, inclusive aqueles fora do circuito turístico tradicional, os melhores cafés, os melhores passeios.

Buenos Aires é realmente encantador , com suas avenidas largas, restaurantes cheios de charme, lojas lindas, um cafeteria deliciosa a cada esquina, nas quais voce pode entrar, pedir um cortado (café pingado com leite), que vem acompanhado de um copo dágua e um biscoito ( no café Havanna, vem 1 mini alfajorr) e ficar o tempo que quiser tranquilamente lendo jornal.

Considerando-se que a taxa de câmbio está extremamente favorável para nós       ( 1 R$ = 2 ARS) tudo está pela metade do preço do Brasil. Aproveitamos para fazer estoque dos remédios que Ivan toma diariamente. Os vinhos então nem se fala. Existe uma gama enorme de safras, uvas, vinícolas e tudo por menos da metade do preço do Brasil. Pena que a mala é pequena.

Minha unica ressalva vai  para as redondezas da   Librería El Ateneo Grand Splendid ( que é maravilhosa). Ali achei os restaurantes feios, sujos, caros e os funcionários das lojas no entorno ( farmácia, lan house) extremamente grosseiros.

Publicado por: egle | 10 Outubro, 2009

¡Mi Buenos Aires Querido!

Aproveitando a oportunidade do câmbio favorável, das passagens aéreas baratas e a desculpa da  realização do Salão Náutico em Buenos Aires , fizemos as malas e cá estamos nós. Além de nós estão os tripulantes de vários veleiros brasileiros: Sweet, Guga -Buy, Mony, Tangatamanu, Blu, Bolero, Pasargadas.

Fomos recepcionados por Carlos e Maria do veleiro Gipsy Wind,que foram nos buscar no aeroporto de Ezeiza com uma  ”Vang” (nome que dão às vans aqui em Bs Aires) alugada.

Os velejadores invedem Buenos Aires

Os velejadores invadem Buenos Aires

Buenos Aires é uma cidade maravilhosa, com avenidas amplas e  muitos parques . O Câmbio está totalmente favorável para nós. Uma refeição com entrada, vinho e sobremesa, sai por cerca de R$ 30/pessoa.

Vamos bater perna no centro da cidade

Vamos bater perna no centro da cidade

Aproveitando a presença do presidente e diretores da ABVC, foi feita uma palestra para os velejadores argentinos que irão participar do Crucero de La Amistad, que se junta ao Cruzeiro Costa Leste no Rio de Janeiro.

Festa, animação e muita farra tem sido a tônica desta viagem

Publicado por: ivanperdigao | 31 Agosto, 2009

Um Polinésio Brasileiro

No domingo em que fomos a Paraty para o Festival da Pinga, um programa que se revelou decepcionante conforme relatado em nosso post “Um Programa 5 Cocares”, houve entretanto um fato que salvou a viagem: na ida paramos na Praia Grande, em frente à Ilha do Araujo, a cerca de 10 km de Paraty, para fazer uma visita a Tarcísio Silva e sua família.

Já havíamos nos encontrado com Tarcísio, sua mulher Dandô e seu filho Pedro, mas sempre em ocasiões festivas quando não houve oportunidade de uma conversa mais aprofundada.

Tarcísio, Dandô, Egle e Ivan no estaleiro do Polinésio

Tarcísio, Dandô, Egle e Ivan no estaleiro do Polinésio

Essa família de Pernambucanos de poucas posses e muita determinação, artesãos de profissão, decidiu construir um barco e uma vida ao estilo polinésio: com poucos recursos financeiros, muita criatividade, simplicidade de soluções e acima de tudo liberdade para escolher os rumos de suas vidas.

Assim foi construído o veleiro Polinésio, um pequeno catamarã modelo Tiki 21, projeto de James Wharram que desde novembro de 2000 se tornou a residência dos Silva e viajou de Recife até Paraty com muitas escalas e muitos amigos pelo caminho.

Passamos uma boa hora com Tarcísio, Dandô e Pedro, tomando um cafézinho e conversando sobre as coisas da vida a bordo e da construção amadora. Eles agora estão a ponto de iniciar a construção de um catamarã de 34 pés, com projeto adaptado pelo próprio Tarcísio, dentro do mesmo partido “polinésio” de construção simples e econômica mas plenamente adaptada a enfrentar o mar e servir de casa.

A saga de Tarcísio e de sua  família é emocionante porque demonstra cabalmente que qualquer pessoa, independente de suas posses e de sua origem social, pode construir um sonho e comandar seu destino, desde que conte com determinação e coragem para trabalhar por isso.

Se quiserem saber mais sobre essa relevante estória náutica leiam o livro “Polinésio, o sonho, a construção e a viagem do meu primeiro veleiro” escrito por Tarcísio e lançado recentemente. Para maiores informações sobre o livro e sobre as aventuras do Polinésio, visitem sua página na internet.

Livro-Polinesio

O exemplo do Polinésio certamente inspirará muitas pessoas que hoje  sonham em ter um veleiro mas ainda pensam que isso está fora de seu alcance.




Publicado por: egle | 24 Agosto, 2009

UM PROGRAMA 5 COCARES

Sabendo do grande interesse de nosso vizinho Hélio, do veleiro MaraCatu, em cachaças de um modo geral e aproveitando a realização do XVII Festival da Pinga e Produtos Típicos Caiçaras em Parati, convidamos Hélio e Mara para irmos até lá.

Mara conseguiu uma carona com o Ronaldo, do veleiro Feitiço, que a caminho de São Paulo, nos deixaria em Parati.

Decidimos ir de  bicicleta para a portaria de Bracuhy ( que fica a pouco menos do que 3 km de onde moramos ) para resolver o problema da volta, ou seja, o transporte entre o ponto de ônibus e nossa casa/barco, visto que a carona era só para ida. Mochila nas costas, devidamente abastecida de casacos e roupas impermeáveis, lá fomos nós.

Que decepção. A cidade, ao contrário do observado durante a FLIP, estava suja. E a cachaça propriamente dita estava representada por meio de barracas dos produtores, dispostas próximas ao rio Parati, com pouca iluminação, sem decoração, sem tabela de preços (para preços que na verdade eram iguais aos que se pode encontrar em qualquer parte do comércio regular), em suma, sem qualquer atrativo especial. Não deu nem vontade de tomar  “uma”.

Na rodoviária, pegamos o ônibus Parati – Angra da empresa Colitur, que parte a cada hora e no domingo, fim de tarde, o dito estava empapuçado de gente. A passagem é cara (R$ 7,80) e o serviço prestado pela empresa é péssimo: não vendem as passagens com antecedencia e sequer organizam uma fila para o embarque, resultando em um grande empurra-empurra dos passageiros, debaixo de chuva, pois os veículos, antigos, tem a roleta na parte de trás. Parati, que prima pelos investimentos em turismo deveria dar mais atenção a essa questão. Além disso o ônibus faz um tour pelas vilas residenciais de Furnas, demorando cerca de 2 horas para cobrir os 70 km que separam Parati de Bracuhy.

Ao chegarmos, a chuva que havia começado no momento do embarque no ônibus, aumentou muito, e fizemos o trajeto portaria /casa debaixo de um temporal. Chegamos ensopados e congelados. O que nos salvou foram as generosas doses de whisky escocês ( acho que não vamos aderir ao boicote ), já dentro do barco, com roupas trocadas e quentinhas .

Um verdadeiro programa de índio.

Publicado por: ivanperdigao | 1 Agosto, 2009

Inverno em Bracuí

Pois é, estamos já no primeiro dia de agosto e o inverno agora se instalou plenamente em Bracuí. Os dias estão mais curtos e a umidade relativa do ar em torno dos 100 % aliada a temperaturas na faixa de 16/19 graus centígrados tornam as manhãs bastante “molhadas” dentro do Taai-Fung II por conta da condensação.

DSCN3621 Vigia do Taai-Fung II às 07:00h

Do lado de fora temos tido dias chuvosos ou encobertos, com raros intervalos de sol brilhante, que era uma característica de nosso inverno antes do advento do famigerado aquecimento global. Sim, o clima parece estar realmente mudando e se nós, os habitantes desse planeta azul, não mudarmos nosso comportamento predatório as coisas podem piorar.

Nesse momento temos o “empacotamento” de três poderosas frentes frias, colidindo contra a zona de alta pressão do Atlântico Sul, com centro a cerca de 400 milhas a leste do Cabo Horn, resultando em ventos e mares violentos em alto mar e em ventos fortes com ressaca no litoral sul e sudeste do Brasil. Aqui na sempre tranquila Marina Porto Bracuí a gente já sente os barcos se moverem em seus atracadouros, fenômeno raramente experimentado em nosso porto super seguro.

A tribo dos velejadores, acostumada a se adaptar às circunstâncias mutantes do clima e do tempo, adota táticas de sobrevivência invernal: muita cachaça, um número ainda maior de churrascos, proliferação de “happy hours” e poucas saídas com os barcos.

Aproveita-se para dormir até mais tarde em meio a muitas cobertas, tomar litros de chá quente, ler muito e experimentar novas receitas de sopas.

DSCN3623 Egle hibernando

Eu estou lendo “Mrs Dalloway” de Virginia Woolf. Egle, leitora compulsiva, ataca sempre mais do que uma obra a cada vez; presentemente lê “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” de José Saramago e “The Rest is Noise” de Alex Ross.

No campo culinário experimentamos uma receita que nos soube muito bem e que compartilhamos a seguir com nossos gentis leitores.

Sopa creme de abobrinha ao Curry (para 4 pessoas)

Ingredientes :
1 cebola pequena
1 dente de alho
700 g de abobrinhas (dá cerca de cinco abobrinhas médias)
3 batatas médias
2 colheres (de sopa) de manteiga
2 colheres (de sopa) de curry em pó
1 litro de caldo de galinha (ou de água se quiser)

Modo de fazer:
Pique a cebola e o alho.
Lave as abobrinhas, apare suas extremidades; corte-as ao meio, no sentido do comprimento e pique-as em pedaços grandes.
Descasque e pique as batatas.
Derreta a manteiga numa panela grande.
Refogue a cebola e o alho, até a cebola alourar. Cuidado para não queimar o alho (mexa sempre). Acrescente o curry e frite mais um pouco (uns 3 minutos), com fogo bem baixo e sempre mexendo.
Acrescente o caldo de galinha (ou a água), as batatas e abobrinhas. Tempere com um pouco de sal (uma colher de chá rasa) e quando levantar fervura, deixe cozinhar por cerca de 15 a 20 minutos, até que as batatas fiquem macias.
Tire do fogo, deixe esfriar um pouco e bata no liquidificador ou com um mixer na própria panela.
Na hora de servir, reaqueça a sopa e caso esteja muito espessa, acrescente mais caldo ou água quente, aos poucos.
Acerte o sal, acrescente um pouco de pimenta se quiser (achamos dispensável, pois o curry já é bem forte) e sirva com croutons ou torradinhas.
Dica 1: utilize pão árabe cortado em pedacinhos e torrados, fica uma delícia.
Dica 2: compre um curry de boa qualidade, faz diferença!

Publicado por: egle | 14 Julho, 2009

Quando os Caronas saem de férias

Tem dias que me dá uma vontade danada de fazer um prato especial. Ocorre que pelas redondezas de Bracuhy não rola pimenta dedo de moça, item indispensável ao  prato que me deu vontade de fazer e que foi objeto do post anterior.

Não me restava outra alternativa a não ser ir até o Supermercado Zona Sul, em Angra dos Reis, único lugar pelas redondezas onde encontro a tal pimenta.

Olha daqui, olha dali, notei que os nossos caronas habituais, Zé e Maria Helena, João e Christina do Veleiro Yahgan e Mara e Hélio do veleiro MaraCatu , não estavam por aqui. Não me restou outra saída a não ser encarar um ônibus até Angra.

Chegando ao Supermercado, como toda mulher,  comprei muito mais do que havia na lista de compras ( Se o Zé sabe disso…) e saí de lá com a mochila carregada e mais três pacotes na mão.

Bom, foi aqui que a falta dos caronas se fez sentir. O ônibus de volta estava cheio, daqueles que se voce levantar o pé não dá para abaixar mais. E me segurando no balaústre com apenas uma das mãos ( outra está com uma porrada de sacolas lembram?), a cada curva eu ia parar ora no colo de alguém ou esmagava quem estava atrás de mim.

Caroneiros voltem. O Taai Fung II agradece.

Publicado por: ivanperdigao | 12 Julho, 2009

De volta a Bracuhy, bikes, chaves de fenda, pimentões …

Terminada a ótima estadia no Repouso das Caravelas para assistirmos à FLIP – Festa Literária Internacional de Paraty, retornamos ao nosso porto na Marina Bracuhy, não sem antes passarmos dois excelentes dias na Ilha do Cedro, paz, tranquilidade, sol brilhante

Chegando ao Bracuhy resolvemos reabastecer o veleiro com víveres, quase esgotados na viagem a Paraty. Quando há necessidade de comprar itens um pouco mais elaborados, temos que ir até Angra dos Reis, a cerca de 25 km da Marina. Para isso usamos nossas bikes no deslocamento de 2 km até o portão, na Rodovia Rio-Santos, e de lá tomamos os ônibus locais.

DSCN3609

Egle vai às compras

Enquanto Egle se ocupava dessa nobre tarefa, decidi dar início à muitas vezes adiada instalação de um sistema elétrico para 110V no Taai-Fung II. A coisa se mostrou bem mais trabalhosa e complicada do que parecia. Num barco de 29 pés há locais de difícil acesso e soi acontecer serem exatamente os locais mais adequados para passar a fiação que queremos escondida. O contorcionismo e a criatividade tornam-se atributos indispensáveis para a execução do serviço. Em nada podemos ajudar os colegas velejadores quanto ao primeiro desses atributos que depende de características pessoais, mas deixamos uma pequena contribuição com relação ao segundo.

Confrontado com a necessidade de fixar parafusos em locais inacessíveis aos dedos, consegui resolver a questão utilizando fita adesiva para fixar os parafusos à chave de fenda, como ilustrado na foto. Funcionou muito bem.

DSCN3605

Chave de fenda do MacGyver

A minha tarefa está ainda em andamento enquanto escrevo esse post mas a da Egle, pessoa esperta, rápida e prendada já foi completada e resultou, para meu deleite, em um jantar de gala com um bom vinho e uma deliciosa receita de pimentões ao forno, do Jamie Oliver que recomendo (veja a receita a seguir).

DSCN3593

Jantar delicioso e sofisticado

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PIMENTÕES ASSADOS COM PIMENTAS E TOMATES (Porção para 4 pessoas)Receita de Jamie Oliver

INGREDIENTES:

2 pimentões vermelhos, sem sementes, cortados ao meio no sentido longitudinal, mantendo o caule.

2 pimentões amarelos, sem sementes, cortados ao meio no sentido longitudinal, mantendo o caule.

Sal e pimenta do reino moida na hora.

1 dente de alho descascado e cortado finamente.

24 tomates cereja cortados ao meio.

3 pimentas dedo de moça, 1 sem semente, cortadas finamente ( nós preferimos, colocar apenas 2, todas sem sementes).

2 colheres de sopa de alcaparras, sem líquido.

1 mão cheia de azeitonas pretas sem sementes.

1 mão cheia de folhas de manjericão picadas a mão.

2 colheres de sopa de vinagre branco ou tinto.

Azeite extra virgem.

4 fatias de pão arabe.

4 bolas de muzarela de búfala, cortadas ao meio.

1 maço de rúcula.

MODO DE FAZER

Pré-aqueça o forno. Coloque sal e pimenta nos pimentões por fora e por dentro. Coloque os pimentões em uma assadeira com a face cortada para cima.

Num recipiente misture o alho, os tomates, o manjericão, as azeitonas, as alcaparras e a pimenta dedo de moça. Tempere com sal e pimenta do reino. Coloque o vinagre e 4 colheres de sopa de azeite.

Recheie cada metade de pimentão com 2 colheres de sopa desta mistura. Despeje o liquido que sobrou na tijela em cima dos pimentões.

Cubra a assadeira com folha de alumínio e deixe no forno por aproximadamente 20 minutos até que os pimentões estejam macios.

Retire a folha de alumínio e deixe no forno por mais 20 ou 30 minutos até que eles fiquem crocantes e marrom dourado nas extremidades.

MONTAGEM DE CADA PRATO

Para cada metade de pimentão,1 fatia de pão árabe por baixo. 1 bola de muzzarela de búfala cortada ao meio e 1/4 da rúcula ao lado. Fure o pimentão para que o caldo escorra para o pão. Adicione sal e azeite , se necessário.

Publicado por: ivanperdigao | 7 Julho, 2009

Nós na Flip

Na terça-feira, dia 30 de junho, o Taai-Fung II deixou seu pier na Marina Bracuí com destino à cidade histórica de Paraty. Íamos assistir à FLIP – Festa Literária Internacional de Paraty realizada de 1 a 5 de julho.

Após cerca de 4 horas de travessia, num dia ensolarado e com pouco vento, pegamos uma poita na simpática marina Refúgio das Caravelas onde nosso veleiro nos serviria de pouso durante os dias da festa. Da marina até o centro histórico de Paraty são 5 km pela estrada, distância que pode ser vencida por caminhada a pé (o que fizemos duas vezes), por ônibus que circulam entre 8 e 22:30h com intervalos irregulares, por taxi (cuja tarifa arbitrária tem que ser negociada caso a caso; tivemos cotações desde R$ 35,00 até R$ 20,00) ou, naturalmente, em veículos particulares. Chegamos a cogitar o aluguel de bicicletas mas desistimos ante o preço irrealístico de R$ 30,00 a R$ 35,00 por dia.

Paraty, durante a FLIP é realmente uma festa. Uma multidão calculada em 20 000 pessoas acorre à cidade resultando em uma atmosfera ao mesmo tempo de sofisticação cultural e de simpática simplicidade.

Nos cinco dias da festa há inúmeras manifestações paralelas ao programa oficial que por si só já se constitui em uma densa sequência de atividades, destacando-se as quatro ou cinco mesas diárias onde se apresentam escritores e outras personalidades ligadas ao mundo literário.

Essa edição da FLIP prestou homenagem especial ao poeta Manuel Bandeira que aprendemos ter sido um intelectual profícuo, poeta, escritor, professor : “vou me embora para Passárgada/lá, sou amigo do rei …”

Eu e Egle assistimos a 10 das 19 mesas do programa e ao show de abertura por Adriana Calcanhoto, além da apresentação de um excelente quinteto de instrumentos de sopro na Igreja matriz com um programa que incluia chorinhos de Pixinguinha, Ernesto Nazaré, e outros cobras de nossa música popular/erudita.

Especialmente instigantes achamos as mesas Separações em que Domingos de Oliveira e Rodrigo Lacerda relataram suas visões sobre os casamentos e as separações; Deus, um Delírio em que Richard Dawkins, cientista especialista em Charles Darwin, expôs as divergências entre as teorias criacionista e evolucionista que buscam de formas conflitantes entre si explicar as origens da vida; Sequências Brasileiras, com Chico BuarqueMilton Hatoun contando sobre seus novos livros (Leite Derramado e Órfãos do Eldorado); Entre Quatro Paredes, trazendo à luz uma discussão entre dois escritores franceses,Gregoire BouillierSophie Calle a respeito da situação criada quando o primeiro terminou seu relacionamento com a segunda por intermédio de um e-mail, e como ela reagiu a isso; Antologia Pessoal, com Zuenir Ventura e Edson Nery da Fonseca relatando sua convivência com Manuel Bandeira, com um show de declamações de alguns dos poemas de Bandeira por Edson, memória impressionante aos 85 anos de idade.

A FLIP é certamente uma festa que vale a pena assistir. Fica uma certa nostalgia de não se poder ter comparecido a todos os eventos…e a todos os bares e restaurantes, cada qual com suas interessantes propostas e peculiaridades.

Notamos também uma enorme, gigantesca, indiscutível predominância do sexo feminino nas ruas e nas mesas de discussão. Deixamos aos caros leitores o desafio para explicar esse fenômeno. Terá sido uma particularidade desse ano em que se apresentou o enfant gaté das moças, Chico Buarque ? Será porque as mulheres são efetivamente mais sensíveis e mais interessadas na cultura que os homens ? Teria acontecido alguma final importante nos campeonatos de futebol justamente na semana da FLIP, causando baixa no comparecimento masculino à festa ? Estará em marcha alguma revolução nos costumes, com as mulheres assumindo papéis antes a elas interditados por uma sociedade machista ?

Mandem suas visões sobre essas provocações e não se esqueçam de manter em suas agendas uma nota para virem a Paraty na próxima edição dessa fantástica festa.

P.S. da Egle: Eu fiquei com o trabalho braçal deste post, inserindo os hiper links, mas gostaria de informar que uma das mesas das quais mais gostei não foi incluida na lista do Ivan: O Dissonante Século XX, no qual o autor Alex Ross, fala de seu livro , O Resto é Ruído, que trata da música clássica do século XX.

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