Na terça-feira, dia 30 de junho, o Taai-Fung II deixou seu pier na Marina Bracuí com destino à cidade histórica de Paraty. Íamos assistir à FLIP – Festa Literária Internacional de Paraty realizada de 1 a 5 de julho.
Após cerca de 4 horas de travessia, num dia ensolarado e com pouco vento, pegamos uma poita na simpática marina Refúgio das Caravelas onde nosso veleiro nos serviria de pouso durante os dias da festa. Da marina até o centro histórico de Paraty são 5 km pela estrada, distância que pode ser vencida por caminhada a pé (o que fizemos duas vezes), por ônibus que circulam entre 8 e 22:30h com intervalos irregulares, por taxi (cuja tarifa arbitrária tem que ser negociada caso a caso; tivemos cotações desde R$ 35,00 até R$ 20,00) ou, naturalmente, em veículos particulares. Chegamos a cogitar o aluguel de bicicletas mas desistimos ante o preço irrealístico de R$ 30,00 a R$ 35,00 por dia.
Paraty, durante a FLIP é realmente uma festa. Uma multidão calculada em 20 000 pessoas acorre à cidade resultando em uma atmosfera ao mesmo tempo de sofisticação cultural e de simpática simplicidade.
Nos cinco dias da festa há inúmeras manifestações paralelas ao programa oficial que por si só já se constitui em uma densa sequência de atividades, destacando-se as quatro ou cinco mesas diárias onde se apresentam escritores e outras personalidades ligadas ao mundo literário.
Essa edição da FLIP prestou homenagem especial ao poeta Manuel Bandeira que aprendemos ter sido um intelectual profícuo, poeta, escritor, professor : “vou me embora para Passárgada/lá, sou amigo do rei …”
Eu e Egle assistimos a 10 das 19 mesas do programa e ao show de abertura por Adriana Calcanhoto, além da apresentação de um excelente quinteto de instrumentos de sopro na Igreja matriz com um programa que incluia chorinhos de Pixinguinha, Ernesto Nazaré, e outros cobras de nossa música popular/erudita.
Especialmente instigantes achamos as mesas Separações em que Domingos de Oliveira e Rodrigo Lacerda relataram suas visões sobre os casamentos e as separações; Deus, um Delírio em que Richard Dawkins, cientista especialista em Charles Darwin, expôs as divergências entre as teorias criacionista e evolucionista que buscam de formas conflitantes entre si explicar as origens da vida; Sequências Brasileiras, com Chico Buarque e Milton Hatoun contando sobre seus novos livros (Leite Derramado e Órfãos do Eldorado); Entre Quatro Paredes, trazendo à luz uma discussão entre dois escritores franceses,Gregoire Bouillier e Sophie Calle a respeito da situação criada quando o primeiro terminou seu relacionamento com a segunda por intermédio de um e-mail, e como ela reagiu a isso; Antologia Pessoal, com Zuenir Ventura e Edson Nery da Fonseca relatando sua convivência com Manuel Bandeira, com um show de declamações de alguns dos poemas de Bandeira por Edson, memória impressionante aos 85 anos de idade.
A FLIP é certamente uma festa que vale a pena assistir. Fica uma certa nostalgia de não se poder ter comparecido a todos os eventos…e a todos os bares e restaurantes, cada qual com suas interessantes propostas e peculiaridades.
Notamos também uma enorme, gigantesca, indiscutível predominância do sexo feminino nas ruas e nas mesas de discussão. Deixamos aos caros leitores o desafio para explicar esse fenômeno. Terá sido uma particularidade desse ano em que se apresentou o enfant gaté das moças, Chico Buarque ? Será porque as mulheres são efetivamente mais sensíveis e mais interessadas na cultura que os homens ? Teria acontecido alguma final importante nos campeonatos de futebol justamente na semana da FLIP, causando baixa no comparecimento masculino à festa ? Estará em marcha alguma revolução nos costumes, com as mulheres assumindo papéis antes a elas interditados por uma sociedade machista ?
Mandem suas visões sobre essas provocações e não se esqueçam de manter em suas agendas uma nota para virem a Paraty na próxima edição dessa fantástica festa.
P.S. da Egle: Eu fiquei com o trabalho braçal deste post, inserindo os hiper links, mas gostaria de informar que uma das mesas das quais mais gostei não foi incluida na lista do Ivan: O Dissonante Século XX, no qual o autor Alex Ross, fala de seu livro , O Resto é Ruído, que trata da música clássica do século XX.
Oi Ivan,
Não sei qual o motivo para um número maior de mulheres, talvez vários da sua lista juntos, em maior ou menor grau. De qualquer forma, certamente, com a presença maciça delas o ambiente fica mais agradável, cheiroso e doce, que se fosse a mesma proporção, ao contrário. Prefiro assim. E o Obama também…
Abraço
Dorival
Por: Dorival Gimenes Júnior em 10 Julho, 2009
às 6:56 pm
Falou Dorival,
Resposta políticamente correta, ainda mais agora que você singra os mares na companhia de sua almiranta …
Bons ventos.
Por: ivanperdigao em 11 Julho, 2009
às 9:06 am
Bom, é estranho que num local aonde estejam tantas mulheres os homens estão tão mal representados (em numero). È que mesmo que a “festa literária” não tenha espicaçado o interesse masculino…estavam lá as mulheres, não é!.
p.s. eu sei que este comentario é um bocado machista!!!, mas mesmo assim quiz contribuir para a análise sociológica da coisa.
Por: conde em 12 Julho, 2009
às 7:07 pm
Conde, obrigado por sua participação nos debates.
Uma outra suposição também machista (mas, afinal não somos nós machos?) poderia ser a de que estão a rarear os genuinos representantes de nosso genero …Acho que por aí na terrinha se diria que está a aumentar a quantidade de paneleiros (vá desculpando a resposta políticamente incorreta).
Abraços,
Ivan
Por: ivanperdigao em 13 Julho, 2009
às 9:18 am
Hahaha….sim é verdade, seria essa a resposta aqui na terrinha. Mas aqui a terrinha já há muito tempo que deixou de ser a santa terrinha.
Por: conde em 13 Julho, 2009
às 9:21 pm