Publicado por: egle | 23 novembro, 2011

Tem um escorpião no meu bolso

O título deste post seria”viajando na época certa”mas Ivan poderia achar que era provocação. E seria ! Já havia mencionado ao Ivan várias vezes o meu desejo de viajar para a Europa no final do outono ou no inverno, sempre rechaçado por ele , com o argumento correto, reconheço, que poderia ser muito frio.

Minha contra argumentação era que as atrações não estariam cheias, que seria gostoso curtir um friozinho, mas no fundo havia um “side benefit” : o escorpião que me morde cada vez que eu coloco a mão no bolso ia ficar mais calmo, pois os hotéis ficam até 50 % mais barato nesta época.

Está tudo dando certo até o momento: o tempo tem estado muito bom , sem chuvas e com temperaturas em torno de 15 graus, estamos visitando todos os lugares turísticos sem enfrentar filas e ficando em hotéis e B&B muito bons pagando pouco!!! O tempo hoje estava tão gostoso que saímos sem luvas, cachecol e ainda tomamos um delicioso sorvete.

P.S. Fiz minha primeira refeição ruim na Itália, pedi um risoto ao funghi que parecia aquele de saquinho do “Tio João”.

Nossa pousada em Siena

Praça do Mercado - Siena

Curtindo o tempo bom - Siena

Segundo a previsão do tempo deveria chover e esfriar hoje em Florença e portanto decidimos ir fazer uma visita a uma vinícola em Greti a 30 km de Florença. ( Como parece que Ivan está viajando com sua bruxa a tiracolo, não choveu nem fez frio)

Escolhemos uma vinícola através de uma recomendação de um americano em um site que já não me lembro mais o nome , o Castelo de Verazzano. Pegamos um onibus comum ( Euros 11,50 ida e volta para os dois) , fizemos a reserva para a visita por telefone e fomos. Ao chegar em Greti subimos a pé cerca de 2 km , chegando ao castelo 30 minutos depois suados e prontos para a visita.

Matteo, nosso guia, parecia Brad Pitt em Bastardos Inglórios falando italiano, muito alegre e comunicativo, falando alto , nos levou para conhecer as diversas salas do castelo, onde estocam-se os vinhos, vinagre balsâmico e presuntos.

Curiosamente , Giovanni da Verazzano, nascido em 1485 neste castelo, foi o primeiro europeu a entrar na baia de Nova York e descobrir a Ilha de Manhattan em 1524 , tendo batizado a baia com o nome de Angouleme. Uma ponte que liga Staten Island ao Brookling, “the Verazzano-Narrows bridge” testemunha seu feito.

Ao término da visita , fomos para o restaurante experimentar as delicias produzidas no castelo. Foram servidos 5 tipos de vinho ( rosso, Chiante clássico, Chianti clássico reserva, super Toscano e vinho santo) e pratos contendo queijos, berinjelas, presuntos, salaminhos, pão, biscoito de amendoas. Ainda bem que tinhamos 2 km de caminhada para pegar o ônibus, o que nos permitiu curar o porre .

A caminho de Greti

Castelo de Verazzano

Vinho Santo ( ou santo vinho?)

Publicado por: egle | 19 novembro, 2011

A origem da palavra gueto (ou viajar também é cultura)

Aproveitando que Ivan está fazendo 70 anos decidimos dar um giro pela Itália, terra de meus antepassados. Iniciamos nossa viagem por Veneza, que nos encantou tremendamente. É uma cidade diferente de todas as que já visitei. A cidade foi fundada pelos habitantes da costa italiana expulsos pelas hordas lombardas e que foram viver nas ilhas das lagoas venezianas.  Sua localização estratégica no mar Adriático tornou Veneza um importante centro de comércio entre o mundo ocidental e o resto do mundo ( especialmente o império Bizantino).

A cidade é cortada por diversos canais, as ruas são mínimas e tortuosas e andar por elas é uma surpresa agradável a cada passo. Conversando com a dona de nosso B&B descobrimos que Veneza foi a primeira cidade no mundo a confinar os judeus em um local próprio.Em 1516 os doges decidiram colocar os judeus em um ilha chamada Ghetto Nuova, onde antes da chegada dos judeus existiam várias fundições. A palavra  “ghetto” vem do italiano  getto que significa  “fundição” ou do veneto geto com o mesmo significado. ( depois desta explicação pesquisei diversos sites e descobri que esta explicação é controversa e que a origem da palavra pode ter pelo menos 4 outras explicações).

Visitamos hoje o gueto judeu em Veneza, onde se vê ainda resquício das antigas portas que cercavam a área impedindo a livre circulação das pessoas e suas 5 sinagogas ( alemã, espanhola, levantina, italiana e cantão). Depois desta aula de história fomos continuar nosso passeio terminando com um belo almoço , acompanhado de vinho que ninguém é de ferro.

Gueto velho

Que friaca

Se eu engordar um pouco mais não passo

Publicado por: ivanperdigao | 15 novembro, 2011

SURPRESA AOS 70

Eis que no dia 13 de novembro, sem que me apercebesse da passagem do tempo, cheguei aos 70 anos, felizmente ainda bem de saúde, com uma família linda e com muitos amigos.

Egle, minha querida companheira, passou boa parte do mês de outubro maquinando a realização de uma mega festa para a ocasião, mas suas ótimas intenções foram bloqueadas por minha declaração de que não gostaria de fazer um evento tão badalado. Ela ficou desapontada com essa informação que somente liberei depois dos seus planos estarem bastante adiantados. Permaneceu muda sobre o tema e passou a tratar dos preparativos para a comemoração de seu próprio aniversário, no dia 5 de novembro, que seria realizado no nosso pequeno apartamento em Botafogo.

No dia do aniversário da Egle ela me disse que ficaria ausente durante parte da manhã e toda a tarde numa sessão de SPA presenteada por sua irmã Maria Egle. Nesse mesmo dia minha neta me pediu para que a levasse ao cinema. Egle, antes de sair me sugeriu que eu colocasse uma camisa bonita para sua festa à noite. Sendo uma pessoa crédula (alguns diriam idiota) não desconfiei de nenhum desses sinais e coincidências. Estava convencido que naquela noite comemoraríamos com um singelo encontro familiar o aniversário de Egle e que no domingo seguinte repetiríamos o encontro para o meu próprio aniversário.

Ao chegar à noite no prédio de Botafogo, acompanhado da sogra e da cunhada Maria Egle, elas sugeriram que fossemos primeiro visitar o salão de festas para ver como estava (sob a alegação de que faríamos ali a festa de Natal).

Fiquei sem fala e realmente emocionado quando entrei no salão de festas apagado e escutei o grito de SURPRESA ! e a cantoria do “parabéns a você” . A seguir foi exibido um “slide show” preparado por Egle com fotos significativas da minha vida e li os dizeres de um cartaz que reproduzia texto caldáico do século VI A.C. intitulado “O Homem Lúcido”  no qual reconheci muitas das atitudes e comportamentos com os quais concordo. Fiquei com os olhos cheios de lágrimas e incapaz de falar por alguns minutos.

Foi o melhor presente de aniversário que recebi até hoje.

Ivan e Egle

Ivan e primas

Ivan e os netos

O bolo dos 70 anos

Publicado por: ivanperdigao | 8 outubro, 2011

Agonia e Extase em Bracuhy

Depois de longo e tenebroso inverno voltamos ao nosso blog, desta vez por conta de um acontecimento ao mesmo tempo inusitado e trágico, ao menos para nós velejadores.

Eis que na manhã desse dia 8 de outubro, numa edição adiantada do dia das bruxas, o pier I da Marina Bracuhy amanheceu com um veleiro afundado. Trata-se de um FAST 395 cujo nome deixamos de registrar pois não sabemos dos sentimentos do proprietário com relação ao acontecimento.

Popa afundada do 395

O lado positivo, se é que se pode usar esse termo no caso presente, é que a Marina é extremamente abrigada e o salvamento foi menos problemático.

A causa do afundamento, apurada quando o veleiro foi resgatado, foi a corrosão galvanica em um registro metálico que dava acesso ao exterior do casco sob a linha d’água. Para evitar esses acidentes deve-se preferencialmente aterrar todas as peças metálicas do barco que tenham contato com a água salgada a um sistema de proteção galvânica. Se isso não for feito deve-se inspecionar periódicamente as saídas de casco metálicas e substituí-las quando uma corrosão importante for notada.

Ainda bem que o local é raso

Perguntarão os leitores: nessas condições como se justifica a presença do termo “êxtase”colocado no título ? Explica-se que, além de servir para compor a referência ao título de um conhecido filme, usado marotamente para atrair a curiosidade de prospectivos leitores, o termo se deve ao aparecimento de cardumes de tainhas atraídos pelo afundamento (e talvez pela emissão de cheiros e sabores provenientes do interior do veleiro) que permaneceram volteando graciosamente em torno do naufrágio em um balé extasiante, indiferentes às aflições humanas dos espectadores.

Pelo menos os paratis parecem felizes

Depois de 10 horas de trabalho o veleiro já ficou quase na sua posição  normal de flutuação. Resta agora o imenso e caro trabalho de recuperar ou substituir os equipamentos (motor, piloto automático, radios, geradores, etc) e o mobiliário. Tudo por causa de uma pequena entrada de água …

Resgate quase terminado

Aprendendo com os problemas : SEMPRE fechem os registros de seus barcos quando não houver ninguém a bordo. Verifiquem regularmente o estado das mangueiras, abraçadeiras e registros que dão acesso ao exterior do casco.

Publicado por: egle | 8 agosto, 2011

Chef em casa

Como  eu e Ivan não estaremos no Rio no dia dos pais antecipamos em 1 semana a comemoração. Feito isto , decidimos contratar nosso filho Pedro, que está terminando seu doutorado em Biomedicina e em paralelo começou um curso de gastronomia iniciando  junto com um amigo um serviço de chefe em casa.

O menu , sugerido pelo Pedro constou de :
Entradas:
– Canapés de queijo de cabra e salmão com maionese de mostarda e endro sobre o pão preto.
– Patê de fígado com geléia de pimenta e torradas de pão de milho.
Antepasto:
– Salada de beterraba cozida, radicchio e endívias
– Quiche de alho poró
Prato Principal:
– Nhoque de batata baroa ao molho de cogumelos.
Sobremesa:
Brigadeiros  de chocolate, gengibre, banana e macadâmia, da Céu de Brigadeiro .
O almoço foi um sucesso, bom papo, comida deliciosa , bastante bebida e muita risada.

Chefs em ação

As namoradas ajudam

Canapés

Gabriela e João Pedro

Sobrinhos

Nena saboreando o nhoque

Brigadeiros Sensacionais da Céu de Brigadeiro

Publicado por: egle | 29 julho, 2011

Eu Não Tenho Onde Morar …..

Em Maio de 2008 saímos de nosso apartamento em Botafogo para fazer mais um cruzeiro pela costa brasileira, dessa vez  a bordo do AYA, o veleiro de nosso amigo Thadeu.  Ao retornar em dezembro de 2008 passamos a morar  em Porto Marina Bracuhy a bordo de nosso veleiro, ou seja , há cerca de 3 anos não temos uma casa “convencional”. Nosso apartamento , localizado em Bracuhy, há muito alugado, repentinamente ficou vazio e decidimos então ocupá-lo novamente por algum tempo.  A primeira noite de volta a nossa casa foi interessante. Não precisamos mais andar cerca de 200 m para ir tomar banho no banheiro da marina, as roupas podem ser penduradas em cabides, cada um de nós pode sair da cama sem precisar passar por cima do outro e por aí vai. As alternâncias são o molho da vida , é muito bom ter um barco e uma casa para variar de vez em quando.

Pretendemos ficar no apartamento até o fim do verão. Até lá vou colocar minha fértil imaginação para funcionar e inventar o que fazer na primavera outono do ano que vem.

      

O quarto do barco

O quarto do ap

A cozinha do barco

A cozinha do ap

O banheiro do barco

O banheiro do ap

A sala do barco

A sala do ap

Publicado por: egle | 24 maio, 2011

Sir Paul McCartney

Estava posta em sossego já meio que conformada em não ir ao Show do Paul no Engenhão no Rio, afinal as vendas iniciaram-se quando eu estava na Europa e ao voltar achei que já não encontraria mais ingresso. Eis que por acaso passou por mim uma nota no jornal informando que ainda havia ingressos para o show do dia 23.05.11.

Bom, o Paul foi o ídolo de minha juventude, eu não fui ao seu show em 1990, ele já está com 68 anos e sabe-se lá se volta ao Brasil para outro show. Feitas as contas lá fui eu.

Valeu cada centavo. Não só ele é lindo ( voltei aos 15 anos), talentoso e simpático ainda veio acompanhado de uma banda super competente. Lógico que cantei a todos pulmões as músicas da fase Beatle. As da fase Wings, exceto Live and Let Die, eu não conhecia, mas não diminuiu em nada meu entusiasmo. A platéia , composta de muito jovens, jovens e não tão jovens como eu, não deixou de cantar e aplaudir um só segundo.

O esquema montado pelos organizadores estava perfeito.O esquema metro + trem funcionou muito bem. Na estação de trem havia 2 plataformas exclusivas só para quem fosse ao show, contando com trens refrigerados, direto ao Engenhão com cerca de 15 minutos de trajeto. Chegando lá diversas pessoas da organização orientavam a todos ao sair do trem qual a direção a ser tomada para acesso ao seu setor. Ao longo do caminho diversos PMs garantiam a segurança da moçada.

Cheguei em casa as 2 da manhã , com o coração aos pulos, tomei uma dose de black em fui dormir sonhando com o Paul.

She's got a ticket to ride

The Magical Mystery Tour Is waiting to take you away.

Publicado por: egle | 8 maio, 2011

Londres

Nossa viagem junto com Márcio e Flávia terminou em Praga. Voamos  juntos o trecho Praga Londres, onde desembarcamos . Eles seguiram para Miami.

Em Londres ficamos no apartamento  da Andrea, filha do Ivan, que infelizmente não estava por aqui, pois teve que ir ao Rio organizar alguns itens que haviam ficado pendentes quando de sua mudança.

Como nosso tempo era curto saímos em uma maratona de dar inveja a Emmanuel Mutai ( para quem não sabe,  keniano  vencedor da maratona de Londres 2011) . A lista de coisas que queríamos ver era imensa e a localização do apartamento não poderia ser melhor pois fica ao lado da catedral de St Paul,  muito perto da Tate Modern e do Shakespeare Globe e a uns 6 quarteirões da torre de Londres, todos vistos no primeiro dia. Todas as atrações são muito boas, mas a descoberta das características do teatro elizabetano ( globe) e a visita guiada a torre feita pelo Yeoman( membros da guarda da torre  e aquele que aparece na garrafa de Gin Beefeater) foram o ponto alto. Ao fim da visita a torre paramos em um pub irlandês, O’Neill’s, onde nos fartamos de whisky e cerveja.

No dia seguinte, toca a correr novamente. Direto para o Parlamento, Big Ben, Abadia de Westminster , um almoço rápido, Trafalgar Square e National Galery. A Abadia de Westminster é bonita, mas existe outro exemplo de arquitetura gótica mais bonita, como a catedral de St Vitus  em Praga que também visitamos. Mas vale pela história , pois desde 1066, quase todos os monarcas ingleses foram coroados lá. A National Galery é um caso a parte. Havíamos planejado passar apenas umas duas horas por lá, ficamos quatro e foi pouco. O prédio é lindo demais, a organização das obras é perfeita, selecionadas por data, estilo e nacionalidade dos artistas. Como os organizadores da mostra já sabem que não dá para percorrer todo o museu de forma consistente , eles criaram um roteiro no qual foram  selecionadas 30 obras de diversos artistas ( Vermeer, Caravaggio, Michelangelo, etc) . Seguindo este roteiro dá para ter uma pálida idéia do que pode ser visto neste museu. Ficamos com gostinho de quero mais.

Certamente daria para ficar mais uns dois dias em Londres, mas ô cidade cara. Passe de metro, por dia, 8 Libras ( R$ 22), almoço frugal ( sandwich e salada sem cerveja) 30 libras ( R$ 80).

A cidade está preparadíssima para as olimpíadas, o sistema de transporte urbano é impecável e cobre a cidade toda. O aeroporto de Heatrow , limpo, organizado, imigração rápida, eficiente e cortês.Voltarei lá com certeza

Big Ben ao fundo

Trafalgar Square

Count down Olimpíadas

Publicado por: egle | 5 maio, 2011

A Disney do Hélio

Nosso amigo Hélio do veleiro MaraCatu é louco por cerveja e hoje ao entrarmos em uma cervejaria em Bruges na  Bélgica ( pais que segundo a Wikipedia tem 150 cervejarias e  produz 800 tipos diferentes de cerveja ) a única coisa que me veio a cabeça foi que aqui é a Disney do Hélio.

A cervejaria que entramos chama-se Brugs Beertje  , uma das mais tradicionais daqui e que tem mais de 300 cervejas para oferecer. Para que vocês tenham uma idéia da seriedade do local, Ivan saiu de lá trocando as pernas, após experimentar, entre outras, um tipo de cerveja chamado lambic beer – cerveja de trigo feita por meio de fermentação espontânea que passa  depois por um processo de envelhecimento que pode durar de seis  meses a tres anos e chegando a ter 10 % de teor alcóolico.

Eu particularmente não gostei da tal de lambic beer, mas acho que amanhã volto lá para experimentar novamente, he ! he!.Espero poder contar com a companhia do Hélio da próxima vez, pois quem sabe dá para experimentar pelo menos metade das cervejas?

A cerveja está ótima

A descrição da lambic beer

Ivan está sem freio

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